SOBRE A SEMANA DA PÁTRIA

“... Acreditam nas flores vencendo os canhões”.

Os desfiles de sete de setembro sempre foram palco dos “super-homens” e “mulheres-maravilhas” que abrilhantaram e ainda abrilhantam nossa história como seres especiais. Viraram estátuas para serem adoradas, idolatras! D.Pedro, Tiradentes, Duque de Caxias, Princesa Isabel e Getulio Vargas são mitos de ontem... Pelé, Airton Senna, Ronaldinho são heróis nacionais mais recentes.
Mas é preciso pensar nos nossos verdadeiros heróis de carne e osso. Aqueles que não tendo acesso aos bens produzidos, são os que na realidade, produzem e “fazem o nome” dos grandes. Sobre isso já escreveu Brecht:


Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilônia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? (...)No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu?(...)O jovem Alexandre conquistou as Índias Sòzinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?(...)
Tantas histórias
Quantas perguntas!
Independência hoje, passados os anos de chumbo, tem a ver com o que se chama cidadania. Penso que, se quisermos mostrar nesta semana da pátria, o nosso coração civil e o nosso amor à pátria, então vamos fazê-lo homenageando os milhões de rostos sem nome, que longe das margens do Ipiranga, tem que sobreviver perto dos palanques demagógicos das eleições.
(Dedicado ao Romeu: educador, poeta e guerreiro)

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