SOBRE O QUE SOMOS E SONHAMOS

“Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos,

quero ver brotar o perdão onde a gente plantou sol de primavera”. Beto Guedes


Agora que setembro chegou com seus ipês amarelos, quero aproveitar para plantar uma árvore.

Não será para homenagear meu avô, jardineiro que emprestou seu nome a uma praça da cidade. Nem irei fazê-lo apenas por ouvir os cruzados ecológicos pregando por toda parte que nosso planeta azul está cada vez mais cinzento.

Minha motivação será diferenciada. Quero plantar uma árvore em nome de uma política de gestos poéticos.

Ainda não sei qual árvore. O olfativo eucalipto, com certeza está fora de meus planos, pois que este, antes de nascer, já tem seus dias contados para serem transubstanciados em cifrões. O funcional pinheiro também não faz parte da minha empreitada, afinal, o coitado, mal começa a brotar e já o arrancam da terra para enfeitar as festas de fim de ano.

Minha árvore, seu cultivo e o acompanhamento de seu crescimento terão ritual diferente.

O ato de plantá-la já será seu próprio fruto a me alimentar. Neste gesto plantarei meus sonhos e minhas mais teimosas esperanças. Já perceberam que nossos corpos têm a bênção de se alimentar de frutos ainda não nascidos? Acho que é por isso que nossas veias têm o formato de raízes e galhos!

Minha árvore terá que crescer sem pressa de chegar aos frutos da estação convencional. Não precisarei vê-la, assim ao vivo, em seu formato final. Minha dádiva será o gesto de esperança eternizada na história de meus filhos e daqueles que vierem depois de mim. Já pensaram que aqueles que não nasceram já são também nossos irmãos?

Se quiserem, a poesia deste gesto poderá até se transformar num gesto político, pois se eu puder inspirar outros a assim procederem, minha árvore terá se transformada numa semente de resistência contra a estupradora ganância imposta ao nosso meio ambiente.

Também, a poesia de meu gesto poderá ser uma confissão de esperança se puder inspirar alguém a fazer uma opção radical pela paz contra a guerra. Quem sabe um dia os donos do mundo se convertam em jardineiros possuídos pela ternura e deixem de plantar árvores atômicas! Quem sabe as pessoas violentas do nosso trânsito reencontrem a paixão dos namorados e sintam saudades de se assentar à sombra de um jequitibá.

Vou plantar minha árvore. Não sei qual, mas sei que ela será cheia de sonhos. Afinal nós somos o que sonhamos... E o que plantamos!

(dedicado ao Sérgio, irmão que sonha e que ama)

4 comentários:

sergio disse...

Somos eternos aprendizes e com essa mensagem dedicada trilho no caminho que acho ser o mais seguro e que a cada dia, procuramo dar o passo seguro com objetivos claros sem perder a oportunidade de viver a cada segundo e agradecer a Deus por nos proporcionar uma vida gostosa de ser vivida onde conhecimento e felicidade é possível. Abraço Conselheiro e ótima semana!

Anônimo disse...

Valeu Sérgio! Que seus queridos lhe sejam sempre um belo jardim! Lembra do quintana? " O essencial não é correr atrás das borboletas. O essencial é cuidar das borboletas para que as borboletas venham até você". Grande abraço

Luci disse...

Carlinhos, meu querido primo, meu irmão. É uma honra fazer parte desta familia linda junto com a Lú e seus três lindos filhos, sem contar ter vivido os meus 41 anos com esse homem tão maravilhoso que foi o meu tio ZITO.Mas sabe Carlinhos ele não vai fazer parte da minha vida só até aqui, eu vou leva-lo para toda a minha vida porque ele faz parte da minha história, as lembranças que eu tenho de criança de adolescente e de jovem ele sempre esteve presente, assim como eu não me esqueço da nossa vó Leonor, penso nela todos os dias, assim vai ser com o meu querido tio ZITO, homem generoso com um senso de humor muito inteligente,as vezes bravo(nessa hora o melhor era sair correndo) não dá para esquece-lo. Beijos para todos e muitas saudades!

Carlos Alberto disse...

Prezada Luci (sobrinha do coração do meu pai):
Obrigado pelo carinho! Tenho meu pai muito perto de mim. É difícil explicar, mas sinto sua presença muito forte ao meu lado...Seja para me ajudar tomar decisões, seja para me indignar com as coisas que não acho corretas. Você sabe como o pai era um homem de caráter! Aprendeu com a vó Leonor... Estou preparando um livro sobre meu pai.Quero deixar de herança para meus filhos. (Lembro de meu pai feliz por ir a Minas Gerais para celebrar teu nascimento!)
Beijos do primão que, por circunstâncias da vida, sempre esteve longe geograficamente de você, mas, afetivamente, sempre teve você no coração.