XI - SOBRE A CELEBRAÇÃO DA FRATERNURA

No princípio era a beleza das videiras e dos trigais
que se entrelaçavam e se espalhavam pelo paraíso;
Em consagradas liturgias o Criador chamava homens e mulheres
à fraternura das ternas-eternas manhãs de cada dia.
E viu Deus que era bom...
Mas, alguns viram que embora tudo fosse bom,
melhor seria se o “ bem-bom” fosse melhor dividido:
___ A uns muitos, a ORDEM; a uns poucos, o PROGRESSO!
Assim, os Cains, inspirados pela Lei-da-esperteza
transformaram em pães amargos o que antes era doce ao paladar
e, num envenenado “Cale-se!”, quiseram desinventar o Amor.
A terra produziu vaidade-e-violência...O mundo jamais foi o mesmo.
Houve trevas sobre a face do abismo...
Acontece que poetas, profetas e trovadores-em-prece
gritaram na vez dos sem-voz, salmodiaram sonhos-em-sorrisos
“...As crianças brincarão com os velhos na praça
Aqueles com sua inocência, estes com sua experiência!
Todos celebrindarão a paz dos parreirais...”
E , de fato, mais tarde, quando a história , deu à luz,
o Amor se fez poesia e habitou entre nós
cheio de charme e beleza!
O pão se multiplicou em sinais de solidariedade,
o vinho se transubstanciou em alegria...
Depois destas coisas eu vi em minhas utopias
Que não havia mais as garras-da-guerra
nem as feias-faces-da-fome
mas, na comunhão da paz-com-páscoa,
havia pão em cada mão e vinho em cada copo.
Apressei-me na prece e, em memória da vida, brindei:
“Maranata! Venha teu Reino Senhor!

(Para meu amigo Agemir, teólogo-pecador-seguidor-do-bem)

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