XVIII - SOBRE ENSINAMENTOS DO MEU PAI AO BRUNO

Prezado Bruno:

Já se vão oito meses da partida de nosso sábio, pai e avô. Ele está mais vivo que nunca. Sua sabedoria e dignidade continuam falando alto para nós todos. É como diz o texto sagrado : “ Existem pessoas que por seu testemunho, depois de mortas ainda falam”.
Entre os que receberam a sua bênção, você foi o mais privilegiado. Esteve mais tempo com ele. Ouviu mais de perto seus conselhos. Vivenciou intensamente suas alegrias e tristezas.
Por isso mesmo, penso que você é um dos responsáveis maiores por deixar bem visíveis as marcas sapienciais do Zito:
Primeiro: Não olhar ninguém de cima para baixo. Não olhar ninguém de baixo para cima. Tratar a todos com dignidade. Assim foi seu avô. Sempre conversou com gente de todos os níveis. Sempre olho-no-olho. Nunca se fez maior que ninguém! Nem menor que ninguém!
Segundo: Lembrar que aço bom é o que aguenta altas temperaturas. Você sabe como o pai sofreu. Jamais se entregou! Você sabe de todas suas doenças. Nunca se fez de coitado ou injustiçado pela vida! Sempre se portou como bravo. Nunca chame a atenção de alguém como vítima. Por isso, sobressaia pela sua competência.
Terceiro: Caminhar com as próprias pernas. Não espere por ninguém. Vá abrindo caminho. Procure não depender dos outros. Caminhe com suas próprias pernas. Lembre de um poeta espanhol que escreveu:

"Caminhante, são tuas pegadas
o caminho e nada mais
caminhante, não há caminho,
se faz caminho ao caminhar”

É a sabedoria do nosso velho nos ensinando, apontando que viver vale a pena. Assim, quando a saudade bater mais forte, traga essas marcas no rosto e lembre-se que o Zito deve estar por perto sentindo um grande orgulho de você.

Deus te abençoe

Carlos Alberto Rodrigues Alves

Nenhum comentário: