XVII - SOBRE UM VIOLÃO SERESTEIRO


A Bruna está aprendendo tocar violão. Que beleza! Ela quer deixar viva a imagem de seu inesquecível e alegre avô, que hoje toca numa orquestra do céu.
Recordar é palavra bonita de origens esquecidas: do latim “Ri – cordare”, trazer de volta ao coração.
O violão, e seus mil tons geniais, sempre foram marcas registradas do meu pai. Herança que deve ser cultivada! Inspiração seresteira aos moldes de Cartola:

"Ah! Estas cordas de aço , este minúsculo braço
Do violão que os dedos meus acariciam
Ah ! Este bojo perfeito
Que trago junto ao meu peito
Só você violão
Compreende porque perdi toda alegria
E no entanto meu pinho
Pode crer, eu adivinho
Aquela mulher
Até hoje está nos esperando
Solte o teu tom da madeira
Eu você e a companheira
A madrugada iremos pra' casa cantando”

Assim, toda vez que a Bruna tocar uma música, ela trará de volta ao seu coração, a história deste cantador e contador de histórias, seu avô seresteiro, o Zito de Itatinga.

Carlos Alberto Rodrigues Alves

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