XXIV - PARA UM AMIGO EM ESTADO TERMINAL

Há golpes que , por nos deixarem nocauteados, descartam nossos palavreados. Como falar para quem as noites já não são mais cantigas de ninar? Como falar para quem o sol das manhãs, que antes brilhava nos olhos, parece agora anunciar que há um longo dia pela frente?
Nesses momentos, julgo necessário fugir de quem tem pena da gente. Gente que quer nos dar pronto socorro em rápidas e baratas lições insossas.
Também é importante fugir daquela horrenda inimiga oculta que nos tira a energia, a culpa. Melhor mesmo é contar com a fidelidade de nossas mais leais amigas: as lágrimas. Mas sem permitir que elas adquiram o tom da desesperança ou da auto piedade.
O Geverson, meu amigo, está indo embora rapidamente, mas sem temer a morte. Ao contrário, ele está tratando-a como sábia conselheira. Lembrei-me de Montaigne: "Quem ensinasse os homens a morrer, ensinaria-os a viver".
Gostei da tatuagem que ele mandou colocar nos braços: ABRACE MAIS!. Era o mote de vida da sua irmã Gillian que já foi embora. Com certeza, seus filhos irão levar adiante esta bandeira. Seus amigos também.
Vai com Deus amigo, missão cumprida!

Rev. Carlos Alberto Rodrigues Alves

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