XXV - SOBRE A ARTE DE FAZER NADA

Os textos sagrados descrevem sob a inspiração de nostalgias primevas, a extensa e estética obra da criação. E com que rara beleza! Os psicodélicos jardins floridos, os mares azuis mergulhados-em-segredos, os andantes e "vivantes-viventes".

Também as luas, as músicas dos ventos, os amores-perfeitos e, claro, o terno e eterno casal paradisíaco.

Mas nem todos os teólogos, poetas e artistas souberam retratar nos tempos pós-idílicos, a forma singular com a qual o Criador deu ao seu trabalho o toque mais-que-perfeito.

Que me perdoem Bilac, Mondrian e Santo Agostinho, mas não foram nem as estrelas, nem o arco-íris e nem Adão e Eva o deleite da criação. O presente com o qual Deus se brindou num “ grand-finalle”, depois da transformação do caos em cosmos, foi o seu Shabbath, ou seja, o seu descanso, o seu lazer, o seu momento de curtir o que criou.

Depois de tanto tempo estou aprendendo essa lição. Estou “me desacelerando dos meus afazeres e começando a resgatar o difícil trabalho de “ fazer nada”.

Ficar rico não vou mesmo! Morrer de enfarto não quero! Quero agora lembrar o meu descanso, afinal ninguém é de ferro, nem o Criador!

Carlos Alberto Rodrigues Alves

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