XXII - SOBRE UM DEUS PARA AMAR

“Dize-me quem é teu Deus e te direi quem és”.

“Quando eu era pequeno em Barbacena” me apresentaram um quadro artístico com um Deus que nunca consegui amar. Seu olho grande, sem pálpebra, parecia estar constantemente me patrulhando. Olhar em grave tom de ameaça, sem nunca piscar, estava diuturnamente atento para fiscalizar qualquer passo em falso desta mortal criatura.
Era um Deus assustador.
Quando eu ia dormir e a sensação de uma onipotente ameaça me pressagiava pesadelos, meu bom pai, sempre companheiro, tentava me amparar dizendo que aquela tela, que eu tinha visto na Igreja, não era o retrato de Deus e sim, o retrato verdadeiro, de um artista atormentado por seus pavores da vida.
Depois ele me contava histórias de como um menino sorridente havia descido do céu para brincar com as crianças e fazer desse mundo um lugar feliz.
Como "o amor lança fora todo medo" eu podia, então, dormir em paz.

(Para Adélia, filha do coração do seu Feliciano)

Carlos Alberto Rodrigues Alves

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