XLIX - CLÁUDIO, CORAÇÃO DE VIOLEIRO

Curitiba hoje, amanheceu ao som de uma cantata-cabocla regida pelo patrono dos violeiros.

Com seu coração-de-violeiro, Cláudio, aniversariante do dia, levantou de manhazinha, assobiou para nossos últimos sabiás e repicou nos braços de sua “viola-Tereza” uma toada com gosto de sassafraz.

Seus parceiros fandangueiros, desligaram os ruídos radiofônicos e sintonizaram a vida cantante deste estradeiro-da-mais-alta-corte-do-mestre-Tião Carreiro. Cantaram no silencio da amizade:

Coração de violeiro não é como outro qualquer
é frágil que nem as pétlas de um mimoso mal-me-quer
que cai com o vento das asas do beija-flor do Tié

Assim é o Claudio, amigo que envelhece devagar e enobrece sabiamente, como os bons vinhos que nos alegram e como as boas madeiras com as quais meu avô fazia boas violas.

Sua musicalidade, que o faz ser cantado em verso e prosa, faz também com que ele seja disputado por organizações culturais e agendado pelos intelectuais de plantão. Tudo em nome de um dia em que todos verão novamente “ casas no campo e cabras pastando solenemente em nossos jardins”.

Sua viola-e-cantoria fazem com que este filho de São Gonçalo execute seus tons-geniais como quem exerce um sagrado-sacerdócio-folclórico entre homens e mulheres de bom gosto.Tudo em nome de um projeto-de-não-violência para exorcizar os demônios-breganejos-da-indústria-anti-cultural que nos assaltam a toda hora.

Para você Cláudio, nossa homenagem inspirada em Alvarenga e Ranchinho:

Para nós, cumpadre-caipira-pira-pora
você é violeiro que Deus no mundo botou
Sua viola até parece um passarim cantador

Grande abraço do Carlos Alberto

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