LXXI - SOBRE AS CORES DE ABRIL


De quando em vez nos reunimos para nossa rodada de boa música...Nunca sem antes repetir o ritual da bênção celta:
Que teus bolsos estejam pesados e teu coração leve.
Que a boa sorte te persiga,
e a cada dia e cada noite tenhas muros contra o vento,
um teto para a chuva,
bebidas junto ao fogo,
risadas que consolem aqueles a quem amas,
e que teu coração se preencha com tudo o que desejas.
Nesta celebração, regada sempre a um bom e sagrado vinho, nunca nos pode faltar Toquinho e Vinícius.

São mestres na arte de nos fazer crer que “é melhor ser alegre que ser triste” e que amor, apesar de rimar com dor, é sempre a prova de que estamos vivos. De todos os seus maravilhosos poemas cantantes, gravo aqui o meu favorito:

As cores de abril,
Os ares de anil,
O mundo se abriu em flor.
E pássaros mil,
Nas flores de abril,
Voando e fazendo amor.


O canto gentil
De quem bem te viu
Num pranto desolador.
Não chora, me ouviu,
Que as cores de abril
Não querem saber de dor.


Olha quanta beleza,
Tudo é pura visão
E a natureza transforma a vida em canção.
Sou eu o poeta quem diz:
Vai e canta, meu irmão,
Ser feliz é viver morto de paixão.


Dedico esta obra-prima do poetinha a todos os amigos de copo e de cruz, sugerindo-lhes que em todos os instantes celebrem “ a dor e a delícia de ser o que somos”.

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