LXXXI - DIA 23 DE ABRIL - DIA DO CHORINHO

O meu avô era um chorão. Para quem não sabe, chorão é tocador de chorinho, esse gênero musical genuinamente brasileiro.

Herdei, geneticamente , um carinho especial pelo “Brasileirinho”, pelo “Assanhado”, pelas “Noites cariocas”, pelo “Carinhoso” e por tantas outras peças geniais. Aliás, até me arrisco de vez em quando e humildemente, a tocar essas músicas.

Já disserem que o nosso chorinho equivale, em riqueza artística , ao Jazz de Nova Orleans. Discordo! É bem superior! Tanto na melodia, quanto no ritmo e na harmonia! Isso, sem contar as letras que sempre tem o toque do romantismo, da sátira e da alegria que o brasileiro, e mais ninguém tem. Coisas que só um chorão pode entender... !

Voltando a meu avô, sei pelo meu pai, que ele foi para o interior paulista afim de fugir, por razões políticas, da polícia getulista. Lá ele ajudou espalhar , com seu regional e com seu virtuosismo, as variações-da-beleza e os improvisos-entusiasmadores de seu cavaquinho.

Passados mais de sessenta anos esse seu neto-da-resistência-cultural, também vive fugindo, mas de outra polícia, a do comando-de-caça-aos-hereges. Mas aí eu não fico triste não!... Ao contrário, evoco o choro mais alegre de Waldir Azevedo:

O brasileiro quando é do choro
É entusiasmado quando cai no samba,
Não fica abafado e é um desacato
Quando chega no salão.

Não há quem possa resistir
Quando o chorinho brasileiro faz sentir,
Ainda mais de cavaquinho,
Com um pandeiro e um violão
Na marcação.


Para Giovani e Kauan, meus filhos...amáveis chorões.

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