LXXXIX - SOBRE MINHA MÃE

Quando eu era pequeno em Barbacena, digo, Itatinga, minha mãe, divinamente, me cantava cantigas para me ninar. O pão era pouco, a liberdade pequena, mas eu começava aprender a sonhar...
Hoje longe muitas léguas, esta é ainda, uma das imagens mais ternas que me fazem sorrir com alegria.

Dizem que a saudade é nossa alma que quer voltar a um lugar onde a gente era feliz e não sabia. Concordo, afinal a palavra recordar , “ri-cordare”, quer dizer literalmente: “trazer de volta ao coração”. Parece que foi assim também , machucado por tantos desamores, que Carlos Drumond , um dia escreveu a sua mãe-distante-no-tempo-e-no-espaço:

A falta que me fazes não é tanto
à hora de dormir, quando dizias:
Deus te abençoe", e a noite abria em sonho.
É quando, ao despertar, revejo a um canto

a noite acumulada de meus dias,
e sinto que estou vivo, e que não sonho.


Poesia bela e triste!

Acho que tive mais sorte que meu xará...Dona Cida é minha mãe.Tão distante, mas tão presente! Tão sofrida, mas tão vitoriosa! Encantada na minha saudade, porém me ajudando a sorrir com esperança!

Nenhum comentário: