LXXXVI - CARTA AO ANGELIM

Violeiro amigo,
Peço licença para algumas coisas:

Primeiramente, para adentrar mais uma vez, à emblemática porteira de teu sítio. E como me segredou minha finada avó: Diante de lugar sagrado a gente tem que fazer o sinal de Jesus. Por isso, senhor dono da casa, este cantador pede licença.

Peço licença também para te dizer que, para minha tristeza, neste último final de semana , quando levei a mulher e os filhinhos, para ver e ouvir o mar, só vimos e ouvimos o barulho de uma gang de agro-boys que invadiram a praia, e nos assombraram à moda do cramulhão, posto que estavam armados até os dentes com suas horrendas-e-megatônicas-músicas-breganejas. Lembrei-me de tua viola-enluarada, sempre inspirada em Zé Côco do Riachão e em outra tanta gente do bem. Por causa disso, pedi ao Deus dos riachos e dos passarinhos, para perdoar os malfeitores sonoros, pois eles não sabem o que fazem...nem o que escutam!!!

Peço licença finalmente para dizer que, para minha alegria, quando do nosso retorno para Curitiba, resolvemos passar em Paranaguá, capital do fandango. Ali, o Senhor ouviu a nossa prece, pois que, além de saborearmos um prato típico criado pelos índios, acompanhamos num alegro-com-brio, o contagiante sapateado catireiro dos nossos caiçaras. Minha alma ficou lavada. Jesus exorcizou o som-do-mal. Lembrei-me de pedir a Ele que continue fazendo com que a bela porteira da foto acima nos aponte sempre o som e as inspirações do bem!

Abraços para você e sua amada
Compadre Carlos Alberto


PS. Para vocês, uma palhinha fandangueira no site abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=mmaoLlYCmxo

( A porteira do Sitio do Angelim continua aberta para o bem :
http://www.angelim.mus.br/ )

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