LXXXVIII - SOBRE PASSEIOS DE BICICLETA

Preocupado com os últimos peripaques cardíacos que tive, meu cardiologista me obrigou a circular de bicicleta todos os dias. Desde então, tenho obedecido-o religiosamente.

Nas últimas semanas incorporei a esta prescrição médica uma receita ainda mais saudável. Qual seja: Passei a carregar na garupa, o Kauan, amigo e filho querido de 4 anos. Desde então minha obediência deixou de ser mecânica para se tornar prazerosa. Deixou de ser um cumprimento burocrático para ser um passeio saboroso.

Agora é assim todos os dias: saímos pedalando pelos parques, seguimos conversando sobre as árvores, damos gargalhadas de piadas, confidenciamos nossos segredos, recebemos cumprimentos dos transeuntes, escutamos cantos dos sabiás e colhemos algumas flores para levar para casa.

Deixo Fernando Pessoa expressar minha alegria:

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

Ontem, surprendi-me com o Kauan , quando deu-me a seguinte tirada filosófica: Pai, o médico disse para você andar de bicicleta! Meu coração está feliz!

Tenho guardado essas coisas no meu coração...que aliás, está muito feliz tambem!

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