XCVI - GIULIA, OLHOS DE CRISTAIS

Os olhos da Giulia são encantados e encantadores. São alegres para quem os vê e dão alegria a quem os tem. Parecem duas contas de cristal, aquelas mesmas da música de Garoto:

Teus olhos são duas contas pequeninas
Qual duas pedras preciosas
Que brilham mais que o luar...”


É bonito vê-la se surpreender com coisas simples do cotidiano:
o meu violão onde ela tange as cordas desordenadamente,
o trem barulhento que leva os turistas para a serra do mar,
o Zé Mané, boneco de pano com quem me arrisco de ventríloco!


Lembrei-me do mestre dizendo: Olhai as aves do céu...olhai os lirios dos campos...É bom enfatizar isso pois,


tem gente que olha e não vê,
tem gente que tem olhos atrofiados pela ciência,
tem gente que tem olhos com cataratas religiosas,
tem gente que tem olhos míopes e já não admira mais nada!


Como não sei expressar em palavras toda beleza que a Giulia, minha filha, me ensina, recorri-me novamente a um dos meus poetas encantadores, Mario Quintana:


O olhar é uma isca
no fim tu hás de ver que as coisas mais leves
são as únicas que o vento não consegue levar:
um estribilho antigo,
um carinho no momento preciso,
o folhear de um livro de poemas,
o cheiro que tinha um dia o próprio vento..."

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