105 - SOBRE INTELIGÊNCIAS E MEDIOCRIDADES

Início dos anos 70! Na vitrola, o som do Shoking Blue; nos jornais, as sombras da ditadura; nas telinhas , os gols do tricampeonato.
Na minha sala de aula um colega, rotulado de “medíocre”, é alvo de orquestrada gozação. Sua redação, cujo tema “ A juventude é incompreendida” é levantada e lida com satírica interpretação igualzinho aquela do Pink, no filme The Wall. Ei-la na íntegra e “ipsis-líteris” :

“A juventude é incompreendida. Tudo o que eles podem oferecer aos seus pais é: paiz, amor e muito som bicho. Fim”


Trinta e cinco anos depois! Quase fim da primeira década do terceiro milênio:
Este mesmo colega é condecorado por uma multinacional por ser um dos “condotiéres” em uma megafusão corporativa. Foi saudado com honras de chefe de estado. Comenta-se que seu salário é galáctico.


Lembrei-me de alguns “fatos-lendários”:
Beethoven ouviu de um professor que ele jamais seria um compositor;
August Rodin foi reprovado tres vezes para entrar na escola de Belas Artes;
Tomas Edson foi considerado muito tolo para aprender alguma coisa;
Einstein aprendeu a falar tarde e foi considerado mentalmente retardado.


Às vezes penso que as inteligências são como vulcões à espera do momento exato para a grande explosão. Quando isso acontece são varridas do caminho as verdadeiras mediocridades.

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