108 - RIDENDO DICERE SEVERUM

As páginas sagradas do Evangelho contem verdadeiras pérolas de bom humor. Pena que nossos óculos catequéticos nem sempre nos deixam lê-las.
Mas, prova disso, são as parábolas de Jesus, verdadeiras novelas-relâmpagos com finais imprevisíveis. Sempre a “detonar” as pseudo-seguranças-advindas- das-certezas-dogmáticas.
Vejam:
No conto do Pai que tinha dois filhos, o mais pródigo não era o que fugiu de casa com a herança do pai. Era o “filho-certinho” que ficou em casa pensando que seu pai era um contabilista com livro caixa na mão, para registrar suas boas e suas más ações.
Na história do Fariseu e do publicano que estavam no templo para as orações, quem foi atendido pelo criador não foi o homem justo e de bons costumes. Foi um fora-da-lei-da- segurança-paroquial.
Na parábola do Bom Samaritano, quem salvou o pobre coitado que caiu na mão dos bandidos, não foi um pastor, um padre ou um rabino. Foi um herege que não seguia a reta doutrina. Para Jesus esse era o cara!

Li novamente "O nome da rosa" . Passei a acreditar ainda mais no provérbio medieval : Ridendo dicere severum, ou seja: é rindo que se diz coisas sérias. Creio que assim fez Jesus.

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