111 - VINHO DA AMIZADE

Tenho em casa, na minha pequena adega João Sebastião Bar, uma garrafa de vinho especial. Em tudo ela é parecida com tantas outras , vindas de Portugal. Aquela cor eucarística, aquele visual que evoca os mistérios dos mosteiros medievais, aquele convite ao seu sabor, aquele segredo milenar do “in vino veritas”.

Mas há uma única exceção que o faz distinto de todos os vinhos que já brotaram dos parreirais dionisíacos de Baco!!! Foi meu amigo que um dia, num gesto de cumplicidade e lealdade me deu como presente de aniversário, selando nossas sanguineas senhas existenciais.

Ele já embora... bem antes do combinado! Mas aquele vinho guardou suas memórias, seus gestos e seu jeito de pastorear a cidade.

Meu vinho agora é como um sacramento que, visível, esconde coisas invisíveis.

Eu e a minha amada Lu estaremos, nesta noite de frio, saboreando um “ queijos e vinhos” com os amigos. Se ouvirmos, entre um brinde e outro, alguma gargalhada, saberemos que esse amigo está por perto.

Onde voce estiver, fazemos um brinde a você, meu mestre Elias Abrahão!

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