112 - BÊNÇÃO DE INVERNO

Curitiba, zero grau! Chegou o tiritante inverno com seu apelo ao nosso lado mais sombrio, carrancudo e individualista. Vejo, macambúzio, as sombras vespertinas desenhadas por um sol que já não é mais o mesmo. Parece que ele foi vencido, numa luta cósmica, por algum astro das geleiras eternas.

Nos jardins , a grande vedete, agora, é a branquidão dos gelos. Está escrito no tempo e no vento “o inverno é solidão”. Mas a beleza existe sim, e, como que num paradoxo, vejo outras coisas alegres brotando e mandando a tristeza embora:

Aparecem, em vários lugares, os quentes festivais de inverno... acendemos, com quentão, as fogueiras de São João... embriagamo-nos, sobriamente, em tom inspirativo, com vinhos e queijos, e por fim, cantamos , com amor, os poemas de Tom e Vinícius, afinal, “É impossível ser feliz sozinho”...

Evocando uma alegria-aconchegante que subjaz neste cenário frio, abençoo meus leitores fiéis que me dão seu calor-de-gente-como-a-gente:

“Que teus bolsos estejam pesados e teu coração leve. Que a boa sorte te persiga, e a cada dia e cada noite tenhas muros contra o vento, um teto para a chuva, bebidas junto ao fogo, risadas que consolem aqueles a quem amas, e que teu coração se preencha com tudo o que desejas.”

Nenhum comentário: