115 - SOBRE O " QUERUBIM NEGRO"

Não iria escrever nada a respeito dele.
Nem sobre sua genialidade, nem sobre sua excentricidade.
A história far-lhe-á, a seu tempo, o registro SE e COMO deverá ser perpetuado.
Acontece que fiquei, santamente indignado, com uma nota de jornal onde se lia na coluna dos leitores: “Com a morte de Michael Jackson venceu a justiça divina”.
Recusei-me a aceitar o louvor fúnebre e herodiano.
Que julgamento míope!
Que ofensa ao Criador de todos os gênios!
A frase justiceira do leitor pareceu-me ter mais a ver com ele que com o artista.
Justiça nos moldes babilônicos que faria os gângsters de Chicago corar de vergonha!
A mim me parece que Deus não pode ser manipulado para cumprir nosso comportamento figadal.
Repito: Fiquei santamente indignado!
Não porque tenha sido tiete do gênio.
Confesso que, eu, cinquentão, prefiro o som psicodélico do Pink Floyd e o rock sinfônico de Rick Wakeman, ao espalhafatoso “pop” do astro em foco.
Estilo artístico-poético-musical não rima e nem se sintoniza com unanimidade.
Mas, confesso também que, num mundo extremamente carente de gênios, não posso achar Herodes natural.
A Deus pois, o que é de Deus...
Aos gênios, o que é dos gênios...
O silêncio, aos que, de forma medíocre, arvoram-se em falar bizarrices em nome do Criador.


Nenhum comentário: