116 - SOBRE DEUS...AMAR E O MAR

Por catedral...uma bela praia de Camboriú ao por do sol...
Por convidados...uma constelação de amigos a "se casar" com os noivos...
A mim, pastor e Juiz de paz, o privilégio de abençoar aquele casal apaixonado...
Algumas de minhas palavras faladas e cantadas:

" Para vocês invoco os prazeres que voam nos ventos
E as alegrias que moram nas cores:
Beleza, harmonia, encantamento,
Magia, mistério, poesia;
Que essas potências divinas lhes façam companhia...
Que o sorriso de um para o outro seja:
Festa, fartura, mel (...)
Que as palavras sejam vestido transparente de alegria,
A ser despido por sutil encantamento
E que no final das contas, e no começo dos contos (...)
Em nome do nome sagrado, do pão partido e do vinho bebido;
Sejam felizes os dois, hoje, amanhã e depois..."

À saída, na hora dos cumprimentos, em meio ao carinho de tanta gente que veio me abraçar, uma voz desafinada me abordou assim:
"Pastor! Como você fala bonito. Pena que você fala mais de poesia que de Deus! Por que?"
Percebi em seu rosto um olhar inquisitorial.
Comecei , então, a tentar um diálogo com nosso conviva desconhecido:
Meu irmão, você já parou para pensar que Deus é como ar? Veja bem! Estamos sempre a respirá-lo, sem necessidade de tentar engarrafá-lo com palavras prontas e acabadas...A gente fala muito de ar quando está com asma!..
Quis lhe falar que o discurso religioso, muitas vezes, é uma mortalha de palavras, um recurso repetitivo que paralisa o pensamento e a imaginação. Mas quando eu começava a ficar inspirado, nossa conversa foi interrompida pelos noivos e padrinhos que, felizes, vieram me abraçar e me convidar para sentar com eles à mesa em frente ao mar.

Ouvindo o som do mar fiquei a perguntar para mim mesmo," Por que as pessoas se complicam tanto se acreditar em Deus é como flutuar num mar de amor...?

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