118 - OS BRAVOS NÃO MORREM JAMAIS

Não é título de filme! Nem ficção! É real: Os bravos não morrem jamais.
Escrevo isso como prelúdio a um tema-de-vida-em-alto-astral, qual seja:
Ele, meu amigo-mais-que-irmão, era realmente, antes de tudo, um bravo... Não no seu sentido vulgar: bravateiro, bravoso...
Ele era bravo, primeiro, por ser esta palavra, profeticamente, a tradução mais nobre e mais fiel que os léxicos poderiam ter dado à personalidade em pauta e que, no caso, carregou com dignidade este majestático nome, Agenor. Seus significados: corajoso, resoluto, notável, considerável, digno de aplausos...
Depois, era bravo, pelo fato do portador desta senha-sagrada, ter feito de sua história, desde o chão-sertanejo-de-Bom-Jesus-do-Galho, até os pobres-e/ou-pomposos-espaços-políticos por onde militou, a consagração da veia-mais-resistente-do-poeta:
“A vida é combate, que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos, só pode exaltar”
De fato...
Quem como eu, bebeu com ele o bom-vinho-da-paz, e saboreou ao seu lado o sal-e-o-céu-do-Senhor, sabe muito bem que no peito deste homem-bravo, batia um coração-valente que, visceralmente, nunca parou de oxigenar as veias daqueles-seus-companheiros que jamais precisaram dormir para sonhar...
Muitas são as estampas que personalizam este bravo-que-não-fazia-cara-feia...E que tão pouco tinha medo das feias-carrancas-políticas-ou-religiosas:
- O homem que não deixou apagar nos olhos a mansidão dos fortes... Sobre isto, diga-se de passagem, que Nietszche nunca perdoou o cristianismo, por ver ali uma religião de fracos. Com certeza, o filósofo teria repensado suas idéias se tivesse lutado ao lado deste irmão-cantante-que-sempre-rimou-ternura-com-bravura!...
- O político que, assim como Lao Tse, compreendeu de cedo, que nunca devemos nos vergar ao sistema, pois que, de nada adianta querermos endireitar as pessoas se vivemos sempre encurvados diante de quem se pretende ser nossos condutores...
- O pastor que, com sua benção "Urbi et Orbi" soube, melhor que ninguém, lutar para que suas paróquias fossem espaços-includentes e não excludentes. Afinal, não é nas idéias que somos irmãos, e sim na divisão dos pães-que-temperam-nossas-manhãs.
Enfim... Do marido, do pai e do avô... Com certeza seus queridos já terão catalogado todas as imagens num álbum-de-família a que somente são dignos os que-amam-como-bravos.
Mas aí é outra história pois que, o que conta agora é a certeza de que, a exemplo do Reverendo Agenor, os bravos não morrem... Ficam encantados!

( Ao Quinha, irmão-de-copo-e-de-cruz que sabe quanto dói uma saudade...mesmo depois de treze anos).

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