136 - VALORIZANDO O COTIDIANO

Segunda-feira dessas ganhei um Pinot noir, safra 2007.
Não era nenhum vinho-do-papa mas era muito chiquitérrimo!. Presente dos noivos a quem, na noite anterior, havia abençoado com a oração dos celtas:
“Que o alimento da terra seja de vocês!
Que a claridade da luz ilumine o casal!
Que a fluidez do oceano inunde cada um!
Que assim seja...Que assim se faça!”
Agradeci-lhes o presente e, como era hora do nosso-feijãozinho-com-torresmo , não tive dúvida, fui logo abrindo a garrafa e fazendo um brinde com a Luciana.

À noite na faculdade, no curso de Psicologia, compartilhei a bênção com meus alunos.
Um deles , gentilmente, me reprovou com racionalidade burocrática: Ô professor! Porque o senhor não guardou o vinho para uma ocasião especial?
Uma aluna, contestando o colega, não só me avalizou positivamente, como ainda fez uma emenda romântica: “ Boa professor! Carpe Diem! Você valorizou a segunda feira e ainda valorizou o seu casamento!
Ri o riso-da-amizade e, antes de passar-lhes os trabalhos acadêmicos, li para todos o famoso poema atribuído a Jorge Luiz Borges:
(...)Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço
no começo da primavera,
e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres
e brincaria com mais crianças...
Se tivesse outra vida pela frente.
Mas vejam, tenho 85 anos e sei que estou morrendo...

Numa espécie de coro sinfônico, todos os alunos disseram AMÉM!
Em tempo : Minha noite com a Luciana foi "abençoada"!!!

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