146 - SOBRE A NOVA E VELHA INFÂNCIA


Hoje é dia mundial da infância.
Dia bom para se lembrar que o grande projeto do ser humano é retornar a um tempo em que a gente era feliz e não sabia.
É por isso que temos filhos, netos, sobrinhos, afilhados...
A vida é um eterno retorno.
O próprio mestre afirmou que são os discípulos pequenos os professores de grandes lições: “ quem não se tornar criança não poderá ver o reino de Deus...”
Enganam-se as pessoas que pensam que Jesus estava exaltando as pretensas virtudes infantis: inocência, pureza, doçura...
Sabemos que essas virtudes estão mais para “anjos-do-céu” que para os “anjinhos-da-terra”, que de santos não tem nada, visto que as crianças de hoje estão mais para ursinhos que para cordeirinhos.
Penso que as grandes virtudes das crianças são : capacidade de se surpreender diante de coisas simples e banais, capacidade de viver o “aqui-e-agora”, desejo de aprender sempre mais...
Acho que é por aí que podemos compreender e concordar com Oscar Wilde:

Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto;
e velhos, para que nunca tenham pressa.

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