153 - SOBRE FELICIDADES SOMBRIAS


Pessoas há que cultivam a felicidade mórbida.
Não acredito, diria você!
Pero que los há, los há!
Veja por exemplo a dona Vindilina, nome fictício de uma senhora que conheci na minha aldeia e que se deliciava ao praticar um esporte diferente: frequentar velórios!
Conhecendo ou não os “finados”, lá estava ela vestida a caráter...com palavras prontas a caráter...com seus consolos a caráter...
Quem a conheceu jura de pé junto que ela jamais saía de sua casa para uma festa de aniversário, uma celebração de casamento, um batizado, um churrasco que fosse...
Ela só estava presente nos momentos sombrios dos mortais...
Não se tratava de estar cumprindo a ordem do mestre “ Chorai com os que choram...” Tratava-se de ter que ser identificada, notada, observada... Era só nesses momentos que ela se sentia útil. Tirar os momentos sombrios de sua vida era tirar doce de criança.
Mais do que carpidora-profissional, era carpidora-feliz-que-faturava-em-cima-das- desgraças-alheias...
Daí a alcunha que ela ganhou: Maria fedida!
Fui pesquisar um pouco sobre esse bicho e descobri que esse inseto se nutre de outros insetos que já morreram. Daí seu sugestivo apelido.
O filósofo Bertrand Russel expressou assim , certa vez: “ Na desgraça de nosso próximo sempre há algo que não nos desagrada”.
Eu peço a Deus : “ Que o Senhor nos livre de ter função só quando as pessoas estão sofrendo. Quero ser irmão-das-pessoas e não irmão-das-horas-sombrias das pessoas.

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