154 - SOBRE CERTAS CANÇÕES INCERTAS


O kauan, meu príncipe de quatro anos, consegue me surpreender muitas vezes. Acho que é porque ele se deixa sempre se surpreender com a vida.
Semana passada ao chegar da escola, faceiro, disse-me que não gostou que a professora tivesse cantado
“Atirei um pau no gato”.
Gostei da “reflexão crítica” dele e me lembrei de outras canções que precisam de uma releitura:
É o caso, entre outros de
“O cravo brigou com a rosa”
Ou, “Sambalelê ta doente, tá com a cabeça quebrada”
Mas também policiei meu senso crítico, para não cair num purismo-típico-de-fundamentalistas.
É que, de fato, há músicas que ouvimos no colo da mãe e que são feias-de-letras, mas ficam bonitas por vir de quem vem.
É o caso, entre outros de:
“Boi, boi, boi... Boi da cara preta, pega essa criança que tem medo de careta”.
Ou, de “Nana nenê que a cuca vem pegar...”
Chego a uma conclusão que, o que está em jogo não é o conteúdo da letra, e sim a magia das batidas de um coração enternecido...É isso que o nenê está a ouvir.
É exagero achar que essas canções, mesmo vindas da voz de uma mãe, são prejudiciais para a infância. Isso é o verdadeiro bicho papão.
No final das contas-e-no-começo-dos-cantos , quem está no colo aconchegante de uma mãe amorosa não tem medo de assombração.

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