156 - SOBRE AUTOESTIMA


Elias Abrahão era meu grande amigo.
Poeta, profeta, cantador...
Grande contador de estórias.
Falava sempre de seu pai, homem-de-bem, provedor de 17 filhos, sapateiro que fazia, artesanal-e-sazonalmente, os sapatos de todos eles.

Um dia , o pecado da vaidade tomou conta da alma de Elias e da alma de seus irmãos. Estavam chateados porque seus colegas de escola tinham sapatos bem mais “estilizados” que os deles.
Abrahão Elias, o pai do do meu amigo, fez assembleia geral familiar, chamou a todos na chincha e lhes deu um xeque-mate mais ou menos assim : “Vocês podem não sentir orgulho do que calçam, mas eu tenho “um-puta-orgulho” de ter feito seus sapatos...Ponto final”. Sem pressa foi cada um pro seu lado...
Sempre que o pecado da “baixa-autoestima” vem rondar minha alma, lembro-me dessa história.
E vejo nela ecos do poema de Fernando Pessoa:
"Para ser grande, sê inteiro

nada teu exagera ou exclui

sê todo em cada coisa
Põe quanto és no mínimo que fazes

Assim em cada lago a lua toda brilha
porque alta vive".

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