167 - SOBRE IPÊS

Hoje é domingo... Ao invés de um pé de cachimbo, encontrei num jardim, perto de casa, um pé de ipê amarelo.
Coisa bela com cheiro-de-amor e gosto-de-paraíso-perdido.
É quase-primavera e os arquivos da minha memória trouxeram ao coração os Cantares de Salomão:

“Aparecem as flores na terra;
Já chegou o tempo de cantarem as aves,
E a voz das aves ouve-se em nossa terra.
A figueira começa a dar os seus primeiros figos;
As vides estão em flor e exalam o seu aroma.
“Levanta-te, amada minha e vem”.

Durante os séculos, padres e pastores se aconchavaram para dizer que o amor ali cantado era o amor de Cristo pela sua Igreja. Que sacrilégio!
Quem comunga dessa idéia não deve ter corpo. Só alma! Daí o porquê de viverem cantando-só-as-delícias-do-céu-após-a-morte.
Ainda bem que, em sentido contrário, o próprio Deus-que-é-Espírito se fez gente e veio morar em nossos jardins do riso e da alegria.
Com amor e beleza...
Quem quiser vê-lo, aí vai uma dica:
Ultimamente Ele tem sido encontrado colorindo os ipês.
(Para a Lu)

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