182 - O TREM

O trem que cortava a serra do meu “Presépio-da-Serra” era, por demais, chique-e-charmoso!
Não só pelo fato de ser “ trem-de-luxo” ou “ super-luxo” como era classificado.
Ele tinha vida própria e, como tal, ditava os destinos geográficos e culturais das pessoas.
Vi muitos grã-finos acertarem seus “Roscopfs” com sua chegada pontual na estação.
Constatei muitas madames de “alto-coturno” se emplumarem para subir nos glamourosos vagões.
Presenciei encontros e despedidas onde o choro e o riso se misturavam com os apitos do trem.Por fim, vivenciei cenas de crianças-em-tom-triunfal, esperando o natal, para ganharem , de seu-papai-noel, um trem que carregasse seus sonhos.
Hoje, o trem que passa ao lado de casa, nada tem a ver com aquele descrito. Ninguém gosta dele. Tanto que fizemos um abaixo-assinado aos chefes de poder, solicitando sua retirada dos nossos trilhos.As razões são simples: Este trem que nos perturba não tem nada de chique nem charmoso, ao contrário, de dia, só serve para congestionar o trânsito e , de noite, só serve para “aumentar nossa população” .
O pior é que nós, os duzentos e cinquenta mil “abaixo assinados” não ficamos sem resposta.
As autoridades, que aliás, são arquirrivais, associaram-se na calada da noite e nos deram a sentença final:
“ Os incomodados que se retirem!!!”
Muitos , assim como eu, já tomamos a decisão:
Em nome desse trem fantasma, vamos "picar a mula"!!!

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