189 - SOBRE AMOR E POLÍTICA

Professor Ivan, nome-imaginário-de-alguém-real, é um dos meus colegas de Magistério.
Desde os tempos de faculdade optou por desfraldar a bandeira da revolução em prol de um mundo mais justo e mais fraterno.
Como sóe acontecer a todos os que se radicalizam, sua militância deixou marcas nos movimentos sociais, nas militâncias eleitorais e até nos costumes do dia a dia.
Dizia ele que não tomava Coca-Cola por ser o “licor do Império”. Seu calçado “a La sandália do pescador” e sua inconfundível bolsa a tira-colo combinavam bem com seu semblante áspero e seu olhar crítico que via “ luta de classes em tudo que se move”.
Há poucos dias encontrei o Ivan na faculdade com um sorriso leve, olhar terno, assobiando a Valsinha de Chico Buarque. Estava bem aprumado.
Todos estranharam.
Lancei uma suspeita ideológica que depois ficou comprovada. Ele estava amando! Mais que isso... Ele estava falando coisas como “reencantar a educação”. Mais ainda... O que é “mais grave”... Estava aderindo à religião de sua amada.
Dei razão a Fernando Pessoa que dizia que quando estamos apaixonados, ficamos “ridículos”... Ao que eu acrescentaria... Porém, feliz.
Lembrei-me também de meu pai, militante político, que dizia que a política, primeiramente é coisa afetiva. Só depois é que se torna causa ideológica.
Creio que a bandeira do Ivan, agora, tem mais sentido.
De fato... Quem ama luta melhor.

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