194 - SOBRE TEMPLOS RELIGIOSOS E UM SABIÁ CANTADOR

Passo todos os dias em frente a um templo religioso que se assemelha aos palácios nababescos.
Os muros que circundam o santuário são repletos de out-doors com promessas de céu.
As imagens que neles são estampadas revelam fartos sorrisos-silvio-santescos.
As pessoas ali fotografadas parecem aquelas de propaganda de margarina:Casais ideais, filhos sem problemas, famílias perfeitas.
Detalhes especiais: Não há negros, nem pobres.
Minha dedução: é uma religião de eugenia.
Repito que prefiro o templo-do-poeta.
Aquele que assim cantou:

"Alguns guardam o domingo indo à Igreja,
eu o guardo ficando em casa,
tendo um sabiá como cantor
e um pomar por santuário.
Alguns guardam o domingo em vestes brancas,

mas eu só uso minhas asas.
E ao invés do repicar dos sinos na Igreja,

nosso pássaro canta na palmeira.
É Deus que está pregando,

Pregador admirável! E o seu sermão é sempre curto.
Assim, ao invés de chegar ao céu, só no final,
eu o encontro o tempo todo no quintal.”

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