205 - SOBRE FINADOS

Finados têm a ver com fim, com finitude.
Somos seres datados, determinados, com prazo de validade.
Homenageio meus mortos mantendo-os vivos nas minhas saudades, sabendo que que morte e vida são companheiras inseparáveis. Isso me ajuda a conter minha melancolia:

“Quando meu barco ancorar no Porto
Por favor, não chorem, não lamentem.
Lembrem-se que não estou só,
Que o cais está repleto
Das muitas naves que partiram antes.
Lembrem-se que mãos amigas
Ajudarão a retirada das velas.
O vento não mais açoitará a barca.
Só a brisa branda ondulará as águas
Num embalo doce para adormecer as vagas...
Lembrem-se que o navegante
Foi dispensado do trabalho insano
E pode agora repousar tranqüilo.
Não mais vigílias nem pesar profundo,
Não mais receios de escuridão da noite”.

Homenageio também meus finados eternizando as lições de vida que deles aprendi. Talvez a maior de todas seja essa:
“A vida é uma viagem, pena estarmos aqui só de passagem”.

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