211- SOBRE REPROVAÇÃO


Sou membro do Conselho Estadual de Educação do Paraná.
Na condição de educador sou contra a aprovação automática que garante uma política de vida fácil aos nossos alunos.
Ontem, em uma cidade do interior, não só reafirmei minha visão, como ampliei-a.
Depois de uma palestra sobre Os Sete códigos da modernidade, um adolescente me procurou para me dizer que tinha sido reprovado em Língua Portuguesa, área fundamental para um brasileiro ser cidadão.
Ouvi-o atentamente. Seu linguajar não me deixou dúvidas:
Ele nunca brincou com Fernando Pessoa. Nunca navegou nas nuvens místicas e mágicas de Guimarães Rosa. Nunca saboreou um poema lambuzento do Quintana.
Não aprendeu os saberes e os sabores da literatura.
De fato, não merecia aprovação.
Depois, perguntou-me e também respondeu em tom de tristeza:
- Professor, sabe quantos professores de português eu tive só esse ano? Nove!

Voltei a Curitiba e registrei nos nossos relatórios minha sentença: Não só o Genival, mas , todo nosso sistema educacional deveria ser também reprovado.

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