220 - SOBRE O VALOR DE COISAS ENCANTADAS


Eu quis, um dia, mimar com um “presente santo” a “minha santa mãezinha”.
Entreguei a ela, pensando que estava fazendo-lhe um bem, uma Bíblia Sagrada na linguagem de hoje. Para quem não sabe a Bíblia na linguagem de hoje, traz um texto todo explicado, facilitado, sem brechas para dúvidas.
Tempos depois, perguntei àquela que, em sua simplicidade, iniciou-me nas primeiras letras:
- E aí mãe! Gostou do presente?
Ao que ela, do alto de sua diplomacia-materna, disse-me:
- Filho! Eu preferia aquela outra Bíblia que a gente lê e não entende nada!
Agradeci a sinceridade da dona Cida e entendi o que Rubem Alves escreveu, certa vez:
- “Se eu fosse o papa eu decretaria a volta da missa em latim. As igrejas se encheriam mais!”
Compreendi também, que o mundo precisa mais de encantamento e menos de explicação. Mais de magia e menos de racionalidade. Mais de literatura que nos faça sonhar e menos de programas-televisivos que só nos fazem seres entediados.
Penso que assim também é a história dos namorados que preferem a penumbra das velas aos raios ofuscantes do meio dia.

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