244 - SOBRE PESCADORES DE ESPERANÇAS

Cá estamos, de novo, nas barrancas do "Panema". Nós, a viola e Deus.
Faltam peixes!
Não pela mesquinhez da natureza, mas sim pelo amadorismo dos nossos pescadores.
Sobram histórias!
Não pelo excesso de contos de nosso universo literário, mas sim pelo profissionalismo dos nossos contadores.
Eis nossas vozes embaladas pelo galo da campina:
Evaristo, amigo de antanho, comparece dizendo que, numa fria manhã de junho, pescou um bagre com seu cinto, não tendo, aliás, nenhuma isca na fivela.
Tanaka, meu antiqüíssimo professor de judô, nos convence de uma história em que viu chover tilápias no Recanto dos Cambarás.
Conto-lhes o fato, devidamente registrado no cartório de Itatinga, daquele domingo-de-tardezinha em que, enquanto eu fazia uns ponteados de viola com meu pai, os corimbas se amontoaram em volta do nosso barco. Há quem diga que alguns desses peixes chegaram a assobiar , mas sobre isso não há confirmação.
Algumas outras histórias, muitos outros causos, outros infindáveis contos... A realidade e a fantasia se encontram no final.
Em jogo... A beleza de fazer de nossas palavras, uma teia onde tecemos nossa alegria de viver... Onde escrevemos nossas tramas para driblar as carrancas da morte ... Onde deixamos as barcas de nossas vidas correrem ternamente para as águas do mar eterno...
Cá estamos no Paranapanema. Afinal de contas, e no começo dos contos, pescar peixes não é preciso...Pescar esperanças de um tempo bom, sim!

(Para o professor Mário e a professora Rita, pescadores de esperanças)

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