249 - SOBRE DEUS E ANGRA DOS REIS

Senhor Deus de todo bem:
Inquieto está o nosso coração, sem descanso!
Por isso alguns de teus filhos, meus fiéis, meus irmãos, me questionam e te questionam:
Diante das tragédias e de tantas lágrimas, eles confessam comigo, nossas dúvidas tão justas:
Onde Tu, Onisciente, estavas quando veio o anjo da morte?
Onde miravam teus olhos, onipresentes, na noite da desgraça?
Onde estavam tuas mãos, sempre onipotentes, que não seguraram a avalanche?
Eu, que abomino respostas prontas,
Eu , que detesto dogmas-doutrinários-domesticadores,
Calei-me e, o mais que pude , foi trazer dos arquivos-da-memória o Cristo-na-cruz, tão-divino-tão-humano:
“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”
Um de teus seguidores-sinceros-sem-cera-e-sem-cerimônia ousou teologizar:
“Ou Deus é todo poderoso, mas não-amoroso, pois que não quis impedir a desgraça;
Ou Deus é um fraco, Todo-amoroso, mas que não pode impedir a fatalidade”.
Senti na boca-da-existência o golpe da finitude...
Meu velho pai , sempre crédulo, dizia que a vida, às vezes, parece uma sinuca-de-bico...
É vero!
Dizia ele que nesses casos, o bom é deixar as repostas para o “setor da administração”.
A nós compete o “setor-de-vendas”!
Sabemos da estupidez dos homens,
do deus Lucro triturando os corpos dos mais fracos,
do inescrupuloso domínio da natureza em detrimento ao amor à riqueza,
dos palácios às custas de milhões de barracos,
dos maus tratos dados à nossa Mãe-Terra que, violentada, levanta seu gemido de dor-e-seu-grito-de-defesa...
Diante disso tudo Senhor,
Teimamos em te pedir algo:
Que a dor do irmão não nos seja indiferente,
Que a nossa lágrima sincera seja sempre nossa amiga leal,
Que ela se transubstancie em gestos concretos para com os que sofrem,
Que as dores do mundo sejam nossas também,
E que um dia enfim,
A lei magna desta casa planetária, qual seja,
o bem-estar de todas as famílias da Terra,
torne realidade o sonho do Criador
Pois que, Senhor, teu Filho não pode ter morrido em vão.

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