253 - SOBRE ESPIRITUALIDADE

Tenho amigos que vão sistematicamente peregrinar pelas trilhas sagradas de Santiago de Compostela.
Isto faz-lhes muito bem, porém, não os invejo.
Sei que eles vão em busca de experiências místicas , o que é louvável. Mas eu, a meu modo, vivencio minha espiritualidade sem os requintes do turismo religioso.
Cultivo, por onde piso, a espiritualidade na mística poesia do corpo.
Nada mais espiritual que o corpo! E acho que estou em boa companhia:
No descascar de uma cebola, Neruda sentia o incenso de uma catedral gótica.
Num pequeno rio de sua aldeia, Fernando Pessoa mergulhava sua alma para desembocar no oceano.
Numa pedra perdida no caminho, Drumond via alguma coisa que não era apenas uma pedra...Talvez uma escada, uma gruta, um altar... Nunca se sabe ao certo.
Vivencio " religiosamente" minha espiritualidade, sem salamaleques.
Não estou a procura de anjos coloridos, nem de vozes do além. Tão pouco estou a cata de fenômenos extraordinários ou aparições de seres de outra dimensão.
Procuro seguir as trilhas de Jesus que nos ensinou os caminhos de uma espiritualidade pautada pela simplicidade da vida: Olhai os lírios dos campos...Vede as aves dos céus...Aprendei com as crianças...
O resto é conto do vigário.

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