262 - SOBRE SAUDADES E SONHOS

Senhor:

Do passado queremos a canção mais bela para que possamos cantar hoje
.
Que nossa saudade não seja um divã para nele adormecermos,
Mas um trampolim para voarmos mais alto
.
Por isso, e para não virarmos estátuas petrificadas pelo que se foi,
dá-nos só-a-saudade-saudável :

“Saudade! és a ressonância

De uma cantiga sentida,

Que, embalando a nossa infância,
Nos segue por toda a vida”.

Do futuro queremos a canção mais bela para que possamos cirandar hoje.
Que nossos sonhos não sejam viagens-só-de-passagem
.
Mas portos de onde partem as barcas para navegarmos felizes.
Por isso, e para não nos perdermos no compasso das ondas,
dá-nos sonhos feitos por mãos que estão a construir, hoje-a-hoje,
os instrumentos da dança-da-esperança

“...Sonhar, mas sem deixar nunca
que o sol do sonho
se arraste
pelas campinas do vento.
Sonhar, mas cavalgando
o sonho
e inventando o chão
para o sonho florescer".

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