271 - SOBRE "PENA BRANCA"

Caro Angelim:

Posso compreender aquele “silêncio obsequioso” do Chico Buarque do Brasil.
Ele tinha acabado de ouvir, emocionado, o “Cio da Terra” na voz dos “ manos véios” Pena Branca e Xavantinho.
Prometeu que nunca mais iria cantar esse belo hino que fizera em parceria com Milton Nascimento.
Chico, encantado, interpretou radicalmente a atitude dos pássaros-da-mata que se calam para ouvir o Uirapuru!
Bela reverência do nosso mestre maior da MPB!
Quando Xavantinho atendeu ao convite para ir cantar na Orquestra de Viola de Jesus, seu irmão seguiu cantando sozinho por aqui.
E nós os violeiros-da-roça continuamos a nos calar para ouvir sua canção.
Mas ontem, esse mestre da nossa moda caipira também silenciou sua voz de veludo.
O sertão está de luto.
Vai daí, meu caro violeiro, um pedido desse velho camarada:
Se você tiver, em seu Sítio Verde, um Uirapuru, batize-o de “Pena Branca”. Estarei por perto para fazer uma oração silenciosa.

Abraços deste violeiro menor


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