276 - SOBRE A CHEGADA DA VELHICE

Há tempos que sei que não posso driblar o tempo.
Então é aquele negócio: “Se não podes com teu inimigo, alia-te a ele”!
Nem o conselho sacana de meus colegas de trabalho: “Use botox”!
Nem a lembrança generosa da confraria: “O vinho mais velho é o melhor”!
Nem mesmo o consolo, em tom alegre, dos meus filhos: “Pai... ! Você fez 53 anos, mas está com corpinho de 52...!"
Trato mesmo é de manter acesa a sabedoria dos monges medievais: “Se queres viver sempre jovem prepara-te para a velhice”.
Por isso, que há tempos, rezo a Deus uma prece:
Que o tempo não me deixe ranzinza,
Que o tempo não me deixe tentar regular a vida de ninguém,
Que o tempo não me deixe parar de brincar nas manhãs das crianças,
para que, quando chegar o momento do lusco-fusco crepuscular,
este seja como o vôo do passaredo que embeleza as cores do entardecer.

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