281 - SOBRE UM RELIGIOSO E UM POETA


Vi um religioso, do alto de seu altar-da-verdade,
Tirar do alforje, algumas pedras para jogar nos corpos ainda soterrados:
“os terremotos são como o dilúvio:
São castigos de Deus para depurar o mundo”.


Ouvi um poeta, engajado, do alto de suas cordilheiras-da-bondade
cantar:

" Sólo le pido a Dios
que el dolor no me sea indiferente,
que la reseca muerte no me encuentre
vacío y solo sin haber hecho lo suficiente
"

Este último entendeu que, quem quiser encontrar Deus, não deve procurá-LO ao lado do sofrimento e sim ao lado do sofredor.

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