341 - SOBRE LADRÕES DE TEMPO

Os dias de hoje exigem redobrada vigilância com o que temos.
Há perigo na esquina e, sempre a possibilidade das tocaias.
"Deus nos proteja" rezava Miguelim.
Deus nos ensine a cuidar de nossos bens, digo eu!

Ainda que pouquíssimos, eles são preciosos!
Um dos mais ricos bens de que dispomos, dádiva do Eterno, é o nosso tempo.
E, por ser precioso demais, é sempre visado por ladrões e salteadores.
Alguns deles, quero denunciar
- Os trabalhos que levamos para fazer em casa
- Os telefonemas , fora de hora , inúteis e inacabáveis
- As reuniões burocráticas que não levam a lugar algum
- O lixo da internet
Sempre que posso, fujo deles. São do mal!
Um poema antigo me dá razão:

Deus pede estrita conta de meu tempo;
é forçoso do tempo já dar conta;
mas como dar, sem tempo, tanta conta,
eu que gastei, sem conta, tanto tempo?
Para ter minha conta feita a tempo,
dado me foi bem tempo e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta;
quero hoje fazer conta, e falta tempo.
o vós, que tendes tempo sem ter conta.
não gasteis vosso tempo em passatempo,
cuidai, enquanto é tempo. em fazer conta.
Ah! Se aqueles que contam com seu tempo
fizessem desse tempo alguma conta,
não choravam como eu, o não ter tempo...
Disse à princípio que temos um bem chamado tempo.
Errei. Não somos nós que o temos!
É ele, poderoso, que nos tem.

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