355 - SOBRE CLARISSES E CLARIDADES

As Clarisses sempre clarearam os noturnos de meus mundos.
São clarividentes, "cleans" como os sons dos clarins, claras como a luz do sol.
Com “Clarissa”, de Érico Veríssimo, descobri ainda guri, que o mundo precisa ser descoberto.
Clarice Lispector esclareceu-me os mistérios de minhas superstições fazendo-me crer que “Os ipês florescem em Agosto”. Razão pela qual não devo temer os cachorros loucos deste mês.
Com Clarisse, aquela cantada pela Elis Regina, aprendi que as lágrimas são nossas amigas e que por causa delas, os porões da ditadura podem se transformar em poemas de resistência.
E tem também, para mim, a melhor de todas as Clarisses: uma querida professora e advogada que me mandou, há alguns meses, essa mensagem iluminada:

"Hoje é seu aniversário 53 anos! Pois é, eu tinha 14 anos quando você chegou para alegrar e bagunçar nossa vida. Era tão pequenino 1.700 kg, lindo, mas só podia vê-lo no bercinho. Não me deixavam carregá-lo. Era minha mãe que dava seu banho e trocava sua roupinha. Nossa! Com que amor ela fazia isso! Era o primeiro neto dela. Pois é... As lembranças estão vindas aos borbotões, mas também não é para menos... Já tenho 67. Desejo que Deus o abençoe ricamente e você continue vivendo para Jesus com todos os seus queridos.
Abraça-o com muito carinho a Tia Clarisse!"

Tia Clarisse é irmã de meu pai, que nasceu sob um místico e maravilhoso luar de agosto.


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