357 - SOBRE A JUSTIÇA DE DEUS E A MULHER IRANIANA

Mais do que ser justo, Deus é bom.
Se Deus fosse mais justo que bom, os mortais já estariam exterminados.
O Pai do Céu manda sol sobre bons e maus.
Manda chuva para justos e injustos.
Sua lógica destoa da lógica cartesiana.
Lembro-me da história da mulher pecadora que trouxeram arrastada para Jesus.
Colocaram-no em xeque e, fundamentados na legislação vigente, indagaram:
“A lei é clara: Esta mulher deve morrer! Que dizes tu, oh mestre?”.
Se Jesus tivesse dito: Ok! Cumpra-se a lei! Apedrejem-na!
Ele estaria sendo apenas justo.
O Senhor, porém ousou reinterpretar a lei: “Atire a primeira pedra quem nunca pecou!”
Mais do que ser justo, ele foi bom!
E nos ensinou, em sua contra-cultura, que a suprema lei não nasce do código legal vigente e sim de uma consciência fundamentada nos princípios da bondade.
Se Deus tem algo dogmático, esse dogma se resume a este axioma: Deus é amor. Isso vale para gregos e baianos. Russos e americanos!
Por isso, não há cultura que justifique a sentença de morte da iraniana Sakineh Ashtiani.
A cultura suprema é o amor.
A lei dos homens pode convencer os mortais pelo medo.
Mas só a lei do amor nos arrasta pelas avenidas da esperança, da ética e da felicidade.
Deus é amor. Isso é cláusula-pétrea. O resto é propaganda eleitoral.

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