368 - SOBRE O DEDO VIL

Na literatura teológica nunca li um santo discorrendo sobre o assunto em pauta.
É-lhes mais honroso escrever sobre a mobília do céu ou a temperatura do inferno...
Os religiosos-tradicionais parecem não ter corpo... Só alma.
Não riem...
Não têm cálculo renal... Pedem perdão antes de fazerem amor... Se é que fazem!
Para eles o corpo é a gaiola da alma. Mas sou avesso a eles.
Depois que cinquentei, estou tratando melhor da minha carcaça.
Submeti, inclusive, à temida experiência ameaçadora de nossa dignidade masculina: aquela do famoso e fatídico dedo vil.
Entenda, por partes, e se solidarize com minha humilhação:
Cena um:
A hora em que o doutor, lentamente, colocou a luva, procurei no vídeo da memória, algum lugar no passado, quando eu tivesse, porventura, rasgado algum santinho...
Cena dois:
O instante em que ele se aproximou, com ar de algoz, quis chamar a minha santa mãezinha... Mas já era tarde!
Cena três:
No momento da profanação-propriamente-dita, passei a acreditar na doutrina do purgatório. Apagão total!...(Vide ilustração)
No epílogo, para completar o ritual macabro, num pós-lúdio, meu urologista sarcástico, arrematou:
“Beleza professor! Tua saúde prostática está perfeita. Mas, lembre-se... É primavera... E a partir de hoje, todo início desta estação quero te ver...”
Cabisbaixo, quis rezar alto a prece de Hipócrates:
“Deus me livre dos médicos... das doenças, livro-me eu”.
Mas aí, minha mulher, solidária, chegou para me resgatar moralmente das consequencias indesejáveis desta "inclusão digital".
O fato é que na fita estou feliz, porém juro que não vou brindar o dedo vil, senão o que vão pensar de mim?

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