409 - SOBRE UM CASAMENTO EM MORRETES



Morretes é uma dessas cidades (en)cantadoras que guardam, em segredos-de-sete-chaves, uma magia (in)contável.
A linguagem científica que se aventurou a descrevê-la em ensaios burocráticos perdeu-se no caminho de sua mística.
Também pudera! Como captar a suntuosidade do Pico do Marumbi senão com os olhos espantados de uma criança frente a um grande mistério?
Como explicitar a outrem a “realidade-mais-que-fato” do Rio Nhundiaquara que deságua nos olhos de quem o vê.
E que dizer daquela gente que, entre os sabores da terra, vive cantando os feitiços da serra perdida na grande mata?
Os artistas Alfred Andersen, Theodoro de Bonna e Langue de Morretes homenagearam este cenário eternizando-o em seus quadros transcendentais.
Vários de meus amigos fandangueiros, vindo de trem pela selva, reverberaram essa "Pindorama" em seus sapateados "tarantílicos”.
Também eu, a meu modo e ainda há pouco, deixei lá , minha módica contribuição para a história desta aldeia maravilhosa. Celebrei em pleno coreto da praça pública, sob o místico olhar dos morretenses, o casamento de Gibson e Suzana. Ele, um fotógrafo neozelandês enfeitiçado por este chão abençoado por Deus. Ela , uma designer, fascinada pelas cores da natureza.


Ambos apaixonados por Morretes.
Ambos abençoados pelos prazeres que velejam nos ventos, pelos fluídos que moram na floresta e pelo encantamento que nos faz apaixonados pela arte de viver.


Ao final da cerimônia, subi a serra de volta pra casa. Não pude, portanto, ver a banda tocar, mas fiquei sabendo, por um padrinho, que os noivos rodaram a cidade, com aquela gente, cantando "coisas de amor".

Nenhum comentário: