442 - SOBRE FICHAS LIMPAS

Na primeira noite, eles se aproximam...
Entram, sorrateiramente, em nossos e-mails , pedem nosso apoio,
E não falamos nada.
Na segunda noite, já não se escondem...
Invadem nossa tela,
Alardeiam suas santidades,
Compram nossas consciências,
E não falamos nada.
Até que um dia...
Depois de tanto solapar os potes do poder,
Os mais inocentes deles
Compram os tribunais-de-justiça-sem-justiça,
Achincalham as viúvas-mais-os-pobres-sem-porvir ,
E provam que são virgens-sem-fichas-sujas-no-cartório...
Mas, porque perdemos a coragem de ter-lhes negado nosso veto,
Só nos resta o pranto amargo de ter-lhes dado, dadivosamente, nosso voto.

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