467 - SOBRE UM DEUS PARA TEMER E UM DEUS PARA AMAR

Ela... dizendo-se minha irmã,
Religiosa cheirando aos incensos das virgens-sarracenas,
Bíblia-feita-desodorante sob os braços , e quase que com o dedo em riste,
veio oferecer-me, gratuitamente, seu semblante mais sisudo, seu olhar mais carrancudo e suas mais flamejantes palavras:
“ Irmão...Vejo que você trocou a Bíblia pela poesia...Só fala de amor...Esqueceu-se de que Deus é amor, mas também é justiça???!!!” (...)
No mesmo local, no mesmo dia, no mesmo evento...
Ele...
Um psiquiatra renomado,
dizendo-se ateu convicto, quase que me confessando seus deslizes, mas desarmado de qualquer agressividade, ofereceu-me um abraço sincero ( sine-cera = sem cera), parabenizou-me pela cerimônia, convidou-me para beber do cálice dos noivos e ainda por cima arrematou:
“Pastor...num Deus assim, como você descreveu, eu posso acreditar...”
(...)
Veio-me a mente os dizeres de um antigo sábio: “Quero um Deus para amar...Não quero um Deus para me fazer correr de medo!"

Nenhum comentário: