471 - SOBRE MODA DE VIOLA E MINHA LINDA CAIPIRINHA

Sou violeiro nas horas vagas. De quando em vez, principalmente naqueles momentos em que os demônios da cidade-grande me assaltam, deixo sair das cordas da viola um cenário bucólico, quase extinto, mas santificado pelos cantadores.
O ar puro das invernadas com cabras pastando solenemente, os carros de boi gemendo no estradão, o fogão de lenha onde o café é adoçado com garapa. Com alguns ponteados a mais, começam também a sair do pinho cenas de manhãs solfejadas por pássaros, cafezais em flor se vestindo como noivas, currais com afrodisíacos cheiros de bosta de vaca e rios com molecada nadando do jeito que veio ao nosso-mundo-sem-porteira.
Confesso que, com minhas toadas inspiradas nestes motes, consigo despertar coisas belas e adormecidas neste corpo oprimido. Consigo também exorcizar, temporariamente, o Cão em suas multiformes aparições.
E quando estou então, com essa caipirinha linda da foto, celebro a esperança de que um dia o mundo vai virar sertão...Viva o violeiro, viva o cantador...

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