474 - SOBRE COISAS DO AMOR CREPUSCULAR

O noivo, 72 anos. A noiva 59.
Ambos calejados e chegados das noites mais escuras da alma.
Ambos, adolescente e alegremente a espera de manhãs temperadas de sol.
Na entrevista preparatória para o “grande dia” ele, naturalista radical, evocou-me um trecho de Zorba, em que parafraseava o grego dizendo: “Minha vida inteira valeria por um instante com esta mulher que amo”.
Ela, espeleóloga, tirou do alforje um poema de Shakespeare que eu não conhecia:
“O tempo é muito lento para os que esperam
Muito rápido para os que têm medo
Muito longo para os que lamentam
Muito curto para os que festejam
Mas, para os que amam, o tempo é eterno”.

Só me restou, sem maiores procedimentos burocráticos, aguardar o último domingo que se foi, quando, numa chácara iluminada pelas cores do crepúsculo, pedi-lhes a bênção do Amor-que-está-em-todo-amor.
Eduardo e Monica têm muito que aprender com eles.

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